Grupos Maristas do RS

Sobre um encontro de vida e pulsão juvenil

Sobre Juventudes,
 
No último sábado, dia 16/09/17, participei do EJM – Encontro de Jovens Maristas 2017, em Rio Grande, promovido pela PJM – Pastoral Juvenil Marista. Foi lindo ver aproximadamente 1.500 jovens animados e motivados durante todo o encontro e perceber o bonito processo que vem sendo feito. Ainda que eu não atue diretamente com os grupos, de modo indireto tenho acompanhado o processo realizado. Por isso compartilho esta reflexão.
 
Há 5 anos, o número de participantes na PJM era de aproximadamente 800 jovens (nos Colégios, Unidades Sociais e na PUCRS). Em 2017 este número passou dos 1.700 jovens. Isso não aconteceu por acaso. Certamente existem muitos motivos que levaram a este crescimento. Vou listar sete deles que, na minha opinião, contribuíram para este fortalecimento:
 
 
1. Projeto: existe um projeto claro, com objetivos, metodologia, formação, etc. Os/as jovens e Assessores/as conhecem esta proposta e se empenham no seu desenvolvimento.
 
2. Protagonismo: talvez este seja o principal motivo para tanta participação de jovens. Hoje quase nenhum/a jovem tem motivação para participar de algo que ele não se sinta “autor/a”, participante genuíno e protagonista. Na PJM, em praticamente todas as fases do processo os/as jovens são os sujeitos centrais. São quase 200 jovens Animadores/as que coordenam as atividades, preparam reuniões e participam de quase todas as decisões.
 
3. Múltiplas linguagens: percebo que os encontros têm sido muito dinâmicos, com novas linguagens, dinâmicas, utilizando-se muito de elementos artísticos tais como música, teatro, vídeos, jogos, cores, etc. 
 
4. Formação: a proposta está baseada na Formação Integral, ou seja, todas as dimensões da pessoa. Para isso, existem atividades formativas para grupos, para Animadores e para Assessores.

5. Afetividade/relações: existe uma aposta na vivência da afetividade e das relações interpessoais, valorizando a diversidade e as diferenças. Vivemos num mundo onde cada vez mais cresce a discriminação, a intolerância, o preconceito e até mesmo o ódio contra quem é diferente. Tais evidências sugerem que precisamos repensar as nossas relações, assim como a PJM está vivenciando. 
 
6. Organização: lembro do Pe. Hilário Dick falando que “o protagonismo precisa de organização”. Concordo muito com ele/a. Sem investimento não há retorno. No caso da PJM, tem crescido o investimento financeiro, de pessoas com perfil para acompanhar jovens e de estruturas de acompanhamento (equipes, reuniões, encontros, assembleias).
 
7. Relação com outros setores da unidade educativa: percebe-se que os grupos têm ampliado a participação no seu espaço de atuação. Não são aqueles/as jovens que ficam fechados numa sala, realizando seus encontros. Eles têm ampliado a sua visibilidade e a atuação nos espaços educativos e na comunidade externa. Isso gera um fenômeno de empatia e de interação com os diversos setores, com os/as educadores/as e com os/as demais estudantes.
 
 
De modo recorrente, ouve-se que os/as jovens não querem mais saber de grupos, que os/as jovens estão em crise e por aí em diante. Tenho dito que acho que a crise maior está nas instituições e nos próprios adultos, que tem dificuldade em compreender as novas gerações e de, inclusive, aprender com eles, através do seu dinamismo. O exemplo da PJM tem nos mostrado isso (assim como inúmeros outras experiências coletivas de jovens das demais pastorais, das escolas e universidades ocupadas, dos movimentos sociais e de novas formas de resistência juvenil). 
 
Ao passo que muitas expressões têm desejado “conformar” e homogeneizar a participação juvenil, outras têm apostado na diversidade e no protagonismo juvenil como forma de reinventar as suas práticas e projetos.
 
“Eu acredito é na rapaziada
Que segue em frente e segura o rojão
Eu ponho fé é na fé da moçada
Que não foge da fera e enfrenta o leão
Eu vou á luta com essa juventude
Que não corre da raia a troco de nada
Eu vou no bloco dessa mocidade
Que não tá na saudade e constrói
A manhã desejada” (Gonzaguinha)
 
Texto de Maurício Perondi, Coordenador do Observatório Juventudes, Doutor em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pesquisador de juventudes