Grupos Maristas do RS

#PapoCabeça|Evangelizar é...

Papo Cabeça,

Fonte:  Eaí?Tchê!

  

Evangelizar é….

 

 A realidade das juventudes clama por vida. “Conhecer os/as jovens é condição prévia para evangelizá-los/as. Não se pode amar nem evangelizar a quem não se conhece. Precisamos aprender a considerar o jovem como lugar teológico. A cultura juvenil apresenta à Igreja, uma novidade teologal. Com suas utopias, desafios, questionamentos, as juventudes nos levam a crer em um novo lugar teológico onde Deus se revela. De fato, Deus nos fala pelos jovens.

Faz-se urgente que toda a Igreja renove a opção afetiva e efetiva pela juventude, na busca conjunta de propostas concretas, de modo que ela possa alegrar-se com a Boa Notícia do Evangelho, pois evangelizar é anunciar os evangelhos. Os evangelhos anunciam Jesus Cristo e Jesus Cristo anuncia a chegada do reino de Deus, que é vida e liberdade para as pessoas humanas. A Exortação apostólica Evangelii Nuntiandi, de Paulo VI, define evangelização como chegar a atingir e a modificar pela força do Evangelho os critérios de julgar, os valores que contam, os centros de interesse, as linhas de pensamento, as fontes inspiradoras e os modelos de vida da humanidade, que se apresentam em contraste com a Palavra de Deus e com o desígnio da salvação. Para responder a essa definição, a mesma Exortação apresenta os critérios básicos que devem guiar o testemunho/anúncio do Evangelho e de todos os seus conteúdos, também aqueles eclesiológicos. Estes são: a fidelidade à mensagem revelada e fidelidade ao interlocutor.

Até aqui vamos muito bem. Tem-se clareza do que ser quer anunciar, ou seja, o critério fidelidade à mensagem revelada é atingido com mais facilidade, mas quando passamos a olhar o critério fidelidade ao interlocutor o desafio é maior, pois é levado pouco em consideração o interlocutor (juventudes) para o processo de evangelização. Há pouca preocupação com a inculturação da evangelização no mundo das juventudes. Parece que daí em diante falta uma autocrítica com relação ao modo com o qual se tenta evangelizar as juventudes, falta maior respeito com a cultura juvenil. Chavões são encontrados aos montes. A opção afetiva e efetiva pelos jovens não passa, em muitos lugares, de mera propaganda enganosa. Muitas lideranças católicas e não-católicas se recusam terminantemente a dialogar com as juventudes, não ouvindo-as e nem escutando seus anseios. De forma autoritária e dominadora fecham espaços significativos, instâncias de diálogo com o mundo das juventudes…

Há um distanciamento grande entre as necessidades das juventudes e o que é oferecido: é oferecida uma evangelização pautada nas necessidades dos adultos; mais preocupada em provar que ainda é possível mobilizar os jovens; que o importante é ter ovelhas no rebanho e não a preocupação com a vida dessas ovelhas…. Por outro lado, encontram-se as juventudes que querem viver e não serem exterminadas precocemente; querem autonomia e reconhecimento; ser acolhidas assim como são; uma comunidade aberta e sem preconceitos; querem vida grupal; adultos apaixonados que possam compartilhar o pão (acompanhar); descobrir Jesus Cristo humano, profeta e sonhador; querem razões para viver…. Em outras palavras, eles querem aquilo que é o coração da evangelização: vida e vida em abundância para todos e todas (Jo 10,10).

É por isso que para evangelizar/trabalhar com as juventudes não basta ter somente boa vontade. É preciso ter proposta, método, paixão e principalmente, ter uma metodologia que parta da vida e das necessidades das juventudes.

 

José Jair Ribeiro (Zeca)

Coordenador da Pastoral Juvenil Marista (PJM) da Rede Marista.