Grupos Maristas do RS

Não é só por R$ 0,20, é por direitos

Sobre Juventudes,

A geração de jovens abaixo dos 30 anos não havia tido a oportunidade de participar de um momento tão intenso de mobilizações sociais, como o que está acontecendo desde a semana passada em todo o país. O último momento de participação massiva havia sido o dos “Caras Pintadas” de 1992, que exigia o impeachment do então presidente Fernando Collor de Melo.

Inicialmente motivadas pela redução do preço das passagens, as manifestações tomaram proporções poucas vezes vistas no país.

O crescimento aconteceu em diversos níveis:

- Número de participantes: iniciou com a participação de alguns milhares e ultrapassou os 100 mil no Rio de Janeiro;

- Representação geográfica: teve início em algumas capitais e expandiu-se para inúmeras cidades menores de diversos estados;

- Crescimento das pautas de reivindicação: o slogan “não é só R$ 0,20 centavos” representa muito bem a amplitude que o movimento está tomando; junto ao transporte público foram agregadas outras pautas tais como: a educação, a saúde, o emprego do dinheiro público, o sistema político, o direito de manifestação e o repúdio à violência policial e estatal. 

Jovens na manifestação – 20 de junho de 2013 em Porto AlegreFoto: Site G1.globo.com 

As redes sociais e a internet, através de suas diversas plataformas, tiveram um papel importante na articulação das manifestações e na divulgação de informações, de fotos e de vídeos, rompendo com a hegemonia que tradicionalmente era exercida por mídias tradicionais como a TV, o rádio e o jornal. Estas redes também possibilitaram que as manifestações ganhassem repercussão internacional, motivando atos de apoio em mais de 40 países. Em meio à euforia provocada por esta onda incontrolável de manifestações também surgem preocupações com a apropriação de suas pautas por parte de grupos políticos reacionários ou até mesmo de mídias tradicionais que podem esvaziar ou utilizar-se da energia mobilizadora das mesmas. 

Apoiadores das manifestações em Porto AlegreFonte: Site G1.globo.com

Duas características assemelham o fenômeno brasileiro a outros acontecidos recentemente em diversas partes do mundo, tais como o Movimento de los Indignados (Espanha) e o Occupy Wall Street (EUA): a inexistência de líderes nos moldes tradicionais de movimentos sociais ou de partidos políticos e grande amplitude das causas de mobilização. Estes elementos fazem com que não se tenha, a curto prazo, uma definição clara de quais serão os desdobramentos e consequências de todo este movimento. 

Concentração na frente da Prefeitura de Porto AlegreFonte: Site G1.globo.com

Mesmo com esta indefinição é possível perceber um sentimento generalizado de indignação, mesclado com esperança de que é possível conseguir mudanças sociais através da união coletiva. Tudo isso a partir da convicção de que “a luta não é apenas por R$ 0,20, mas é por direitos".

Produção do texto: Maurício Perondi – Analista de pastoral do Centro de Pastoral e Solidariedade da PUCRS