Grupos Maristas do RS

Com Jesus e a juventude | Redescobrir a humanidade

Sobre Juventudes,

Fonte: Cajueiro

“Que maravilha se a Jornada Mundial da Juventude em toda magnitude e beleza que é, ajudar a juventude a fazer a experiência de um Jesus do Reino, pobre, da Cruz, de Jerusalém. Que maravilha se o bispo de Roma, o querido Francisco, continuar nos provocando a sermos cristãos mais engajados, mais revolucionários, mais dos pobres, mais da Palavra e nos desafiar a construir a Civilização do Amor, desde Jerusalém, para o qual estamos caminhando.”

“Jesus perguntou: ‘Onde vocês colocaram Lázaro’?

Disseram: ‘Senhor, vem e vê’

E Jesus começou a chorar.”

[João 11, 34-35]

O caminho para Jerusalém, que temos percorrido com os/as jovens e com Jesus, é um caminho provocador, desinstalador e desafiador. É um processo que quer provocar uma adesão mais radical à Jesus, à Seu Projeto e à causa dos/as jovens. Que deseja revitalizar nossa ação com a meninada e assim fortalecer ações na construção da Civilização do Amor. Por isso mesmo, é um caminho. Por falar em caminho, esse mês, milhares de milhares de jovens se colocaram a caminhar, nas ruas, nas praças, nas capitais e interiores.

Questionando, desafiando, desinstalando, provocando novos caminhos. Coloca-se no horizonte, Jerusalém, desde Betânia, nos passos da juventude.

Neste mês, Betânia quer nos desafiar a algo simples, mas que exige coerência com o seguimento. Desde Betânia, com a juventude e com Jesus, somos convidados/as a redescobrir a humanidade. Somos chamados/as a redescobrir a humanidade de Jesus. Somos chamados/as a redescobrir a humanidade dos/as jovens. Somos chamados/as a redescobrir a humanidade das pessoas. Somos chamados/as a redescobrir, acolher e viver a humanidade.

Betânia nos ajuda a compreender a humanidade de Jesus de Nazaré. Ele gostava de estar com os amigos e amigas. Gostava de falar da vida. De comer junto. De partilhar a vida. De festejar. De beber. De sentar. De descansar. Em Betânia Jesus chora. Isso tudo é a humanidade Dele sendo vivida radicalmente. Desvelar a humanidade de Jesus é descobrir verdadeiramente sua divindade. Jesus quer-nos humanos no mais simples e profundo de nós mesmos. Deus se fez homem, verdadeiramente homem, em Jesus. É desafiador darmo-nos conta disso. É desinstalador compreender esse mistério. Mas, ou redescobrimos a humanidade de Jesus ou não estamos sendo coerentes ao seu projeto. 

Em tempo de grandes mobilizações, a humanidade do Nazareno nos interpela a reconhecer na juventude um sujeito de direitos e, diante disso, grita pela vida: nós queremos viver melhor! Necessariamente, na construção da humanização, há que se pautar políticas públicas para a juventude. Temos clareza de que a juventude é portadora do novo. Um novo mundo está nas mãos das/os jovens. Sempre afirmamos que qualquer instituição que quer ser nova, mais criativa, mais dinâmica, mais do diálogo, mais humana, necessariamente deve atentar a juventude. Necessariamente.

O Reino de Deus, vivido e anunciado por Jesus, provoca a cada um que se coloca no caminho da revitalização, a construção de alternativas, meios para que cresçamos humanamente, usando da criatividade e da ousadia que Deus concede como graça a cada um de nós. Nesse sentido, também a juventude vai se reconhecendo e reconhecendo o outro como portador dos mesmos direitos.

Revitalizando a nossa postura e a nossa prática, venceremos o inverno e a noite neoliberal, do capitalismo, do individualismo e do consumismo desenfreado. Caminhamos, desde Betânia para uma primavera cheia de cheiro gostoso e de vida plena. Uma primavera em que os homens e as mulheres serão mais importantes que as máquinas. Serão mais importantes que a conta bancária… Um dos maiores escândalos causados por Jesus foi encarar e assumir todos como humanos: encostou-se em mortos, sentou-se com pecadores, aproximou-se das mulheres. Tantos e tantos gestos de humanização. Amou profundamente cada ser humano. Amou em Belém. Amou em Nazaré. Amou em Betânia, em Cafarnaum. Amou até a cruz em Jerusalém. E ressuscitado prometeu nos amar e estar conosco até o fim dos tempos (Mt 28,22). 

Não poderíamos deixar, no contexto que vivemos, de escrever sobre a Semana Missionária e a Jornada Mundial da Juventude que se aproximam rapidamente. Parece-nos que Betânia nos desafia a não deixarmos passar esse tempo e reconhecer a graça de Deus, como semente oculta, que age a todo o momento. Isso implica que essas grandes atividades sejam, igualmente, construtoras de humanização. Que maravilha se a Semana Missionária revelar de fato a realidade da juventude de todos os cantos e nos colocar em processo permanente de missão e transformação. Que maravilha se a Jornada Mundial da Juventude em toda magnitude e beleza que é, ajudar a juventude a fazer a experiência de um Jesus do Reino, pobre, da Cruz, de Jerusalém. Que maravilha se o bispo de Roma, o querido Francisco, continuar nos provocando a sermos cristãos mais engajados, mais revolucionários, mais dos pobres, mais da Palavra e nos desafiar a construir a Civilização do Amor, desde Jerusalém, para o qual estamos caminhando.

Façamos essa experiência de nos reconhecermos como humanos em nossos grupos, em cada lugar que estamos. Não somos máquinas. Nossos pés pisam um chão que é nosso e carrega uma história com marcas que estão presentes em cada gesto e palavra nossa. Como humanos, nas nossas lutas, caminhadas, construindo um mundo novo, vamos nos amar mais, do jeito que o Nazareno fez.

Com o cheiro da humanidade que caminha em direção ao Reino e que faz de Betânia sua morada e seu lugar de conversão e humanização, seguimos firmes no nosso horizonte de vida para a juventude e de revitalização das Pastorais da Juventude da América Latina e do Caribe, desde os passos do Mestre.

Pe. Maicon André Malacarne – Assessor da PJ na Diocese de Erexim/RS

Luis Duarte Vieira – Militante da PJ e noviço admitido à Companhia de Jesus