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Sobre juventudes | Jovens em jornadas de fé e cidadania

Sobre Juventudes,

Duas mobilizações importantes ligadas as juventudes ocorrem entre junho e julho deste ano, as manifestações juvenis de junho e a Jornada Mundial da Juventude.

O que une esses “momentos” de grande concentrações de juventudes ? Que país temos após o encontro, os discursos, as orações e mobilizações que sacudiram o Brasil neste inverno?

Vale a pena recordar ou continuar vivendo esses dois grandes acontecimentos, pois este saldo afirma se o grito das ruas e as manifestações de fé e cidadania ajudarão a construir um tempo e um lugar melhores de se viver.

O texto abaixo que sugerimos para esta análise, foi publicado em julho pelo Jornal Mundo Jovem, no ápice destes acontecimentos. 

Cartazes exibidos durante as manifestações juvenis de junho 

 

As manifestações são expressão de uma insatisfação social difusa. A forma das manifestações corresponde a um mural do Facebook, onde cada qual posta o que quer. Assim, milhares de jovens, de uma hora para outra, se juntam e se unem nas ruas e avenidas das principais cidades brasileiras. E a pauta de reivindicações é cada vez maior. Será um sinal dos tempos? Talvez seja fome e sede de participação. Descobriram que política não se faz apenas nos partidos e através dos representantes. A democracia se plenifica quando se pode participar do planejamento e da execução da vida pública.  

 

Democracia real

A insatisfação expressa pelas manifestações tem como foco as políticas públicas e o sistema político. E as bandeiras sociais que aparecem nas manifestações exigem, pelo menos, uma grande reforma tributária, além de menos dinheiro público para banqueiros e grandes empresários. Essa juventude descarta interlocutores tradicionais e quer falar diretamente a quem pode conduzir, de forma imediata, um processo de mudanças substantivas. Quer democracia real.

Por falar em democracia, os meios de comunicação de massa não falam mais sozinhos. Acostumados a conduzir a opinião pública, sempre protegendo a quem os mantém, certamente terão seu leque de interesses questionado. A internet concede a palavra a todos que querem falar e mostrou que consegue motivar milhares para participar de manifestações.

A esperança é de que a participação não seja frustrada por resultados inócuos ou pela repressão. Pelo contrário, que essas experiências sejam amadurecidas, iluminando novos caminhos, de modo que possamos cantar, com Skank, “se o país não for pra cada um, pode estar certo, não vai ser pra nenhum”.  

 

“A guerra começou! Quem a provocou?”

A provocação e a pergunta são de Thaíde e DJ Hum. Se o movimento é difuso, ‘guerras’ de versões e de personagens buscam a paternidade do movimento. Vale, então, ouvir os protagonistas, como o Movimento Passe Livre (MPL/SP) que, em nota do dia 21 de junho, diz que “luta por um transporte verdadeiramente público, que sirva às necessidades da população e não ao lucro dos empresários. Assim, nos colocamos ao lado de todos os que lutam por um mundo para os debaixo e não para o lucro dos poucos que estão em cima. O MPL é um movimento social apartidário, mas não antipartidário. Toda força para quem luta por uma vida sem catracas”.

Uma forma de filtrar o que é verdadeiro numa mobilização social é perceber se as causas são para a maioria, especialmente para quem mais precisa, ou se a manifestação atende apenas a interesses egoístas e causas particulares. Nas ruas estava “tudo junto, misturado”. E na Jornada Mundial da Juventude? Que causas ou interesses os jovens católicos estão dispostos a abraçar?

 

O que queremos?

As grandes mobilizações, políticas ou religiosas, só fazem sentido quando aliadas à construção cotidiana de relações humanas, sociais, com Deus e com o meio ambiente que sejam mais saudáveis e dignificantes. Como tematiza com muita lucidez o filósofo esloveno Slavoj Zizek: “Não se apaixonem por si mesmos, nem pelo momento agradável que estamos tendo aqui. Apaixone-se pelo trabalho duro e paciente – somos o início, não o fim. Nossa mensagem básica é: não vivemos no melhor mundo possível, temos a permissão e a obrigação de pensar em alternativas. Há um longo caminho pela frente, e em pouco tempo teremos de enfrentar questões realmente difíceis – questões não sobre aquilo que não queremos, mas sobre aquilo que queremos.”

O que não queremos, parece, sabemos bem: corrupção, injustiças no acesso aos serviços públicos na saúde, educação, transporte… Mas o que queremos? Que sociedade buscamos? Esse é o trabalho árduo e permanente, nos grupos de jovens e nos movimentos sociais, de todos e todas que desejam construir a Civilização do Amor. Vamos juntos com o Papa Francisco, para quem “continua ressoando em nossos ouvidos o anúncio do Senhor: ‘Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura’ (Mc 16, 5). Esse convite missionário dirige-se de modo particular às periferias das grandes cidades, não somente geográficas, mas nas situações extremas, as periferias, onde o povo fiel está mais exposto à invasão daqueles que querem saquear a sua fé”. Caminhar ao lado e a favor de quem mais precisa, os empobrecidos e excluídos – essa é a jornada e o compromisso de fé e de cidadania.

 

Jovens lotaram a Praia de Copacabana, durante a Jornada Mundial da Juventude