Grupos Maristas do RS

Participação juvenil

Mística da PJM,

Contrariamente ao que se percebe em muitos casos do senso comum e da grande mídia, a preocupação dos jovens com as questões sociais não deixou de acontecer. Os jovens reinventam formas, fazem adaptações, extrapolam as forças que dificultam a sua participação. Deste modo, não deixam de atuar em diversos coletivos com os quais se identificam. Um dos exemplos desse fenômeno é a grande mobilização dos jovens nas manifestações que aconteceram no Brasil em 2013.

As novas formas e temas de participação da juventude apontam para um quadro de crise e mutação na esfera política “no qual a ação coletiva dos jovens, bem como os movimentos sociais, podem estar ocorrendo de formas múltiplas, variáveis e com níveis diversos de intervenção no social, muitas vezes de forma fluida e pouco estruturada” (DAYRELL; CARRANO, 2008, p. 18).

Além das diversas formas de participação, também é possível enfatizar que as ações podem acontecer em dois âmbitos, o individual e o coletivo. Para Dallari (1983, p. 44), no sentido individual “cada um participa falando, escrevendo, discutindo, denunciando, cobrando responsabilidades, encorajando os tímidos e indecisos e aproveitando todas as oportunidades para acordar as consciências adormecidas”. No âmbito coletivo a participação é produzida por meio de grupos com objetivos definidos (ecológicos, político-partidários, culturais, educacionais, raciais, humanitários, entre outros) e disposição para trabalharem em favor de determinada situação social.

É importante destacar que as diversas formas de participação social não acontecem de forma espontânea, tampouco abrangem todos os jovens, pois dependem de determinadas condições que os mobilizem. Neste sentido, a proposta oferecida pela PJM é intencionalmente motivadora da participação juvenil. Para Melucci “a agregação não é possível se não existe certa coincidência entre os objetivos coletivos e as necessidades afetivas, comunicativas e de solidariedade dos seus membros” (2001, p. 98).

Deste modo, pode-se apontar que os grupos juvenis podem se constituir como espaços determinantes para despertar os jovens para a participação social. Isso pode mobilizá-los para o envolvimento em questões sociais que visam a melhoria das condições de vida de seu grupo, da sua comunidade ou da sociedade de maneira geral.

 

Referências:

PERONDI, Maurício. Narrativas de jovens: experiências de participação social e sentidos atribuídos às suas vidas. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, Programa de Pós-Graduação em Educação (Tese de Doutorado) 2013.

DALLARI, Dalmo de Abreu. O que é participação política. São Paulo: 8ª ed. Ed. Brasiliense, 1983

DAYRELL, Juarez; CARRANO, Paulo. Jovens no Brasil: difíceis travessias de fim de século e promessas de um outro mundo. Observatório Jovem. Rio de Janeiro, 2008.

MELUCCI, Alberto. A Invenção do Presente: Movimentos Sociais nas Sociedades Complexas. Tradução de Maria do Carmo Alves do Bomfim. Petrópolis, RJ: Vozes, 2001.

Texto: Maurício Perondi – Analista de Pastoral do Centro de Pastoral e Solidariedade e pesquisador do Observatório Juventudes PUCRS

 

Jovens nas ruas no 2º Encontro de Jovens Maristas em Santa Maria