Grupos Maristas do RS

O Mesmo Rosto

Mística da PJM,

O MESMO ROSTO (Jorge Trevisol)

Dizem que o Sol deixou de brilhar
Que as flores mais belas não perfumam mais
Que os jovens teriam deixado de amar 
De crer na esperança de poder mudar
Que as lutas e os sonhos o vento espalhou
E que envelheceram as forças do amor
 
Se fosse assim me digam vocês:
De quem é o rosto que ainda sorri
De quem é o grito que nos faz tremer
Defendendo a vida e o modo de ser
De quem são os passos marcados no chão
E o lindo compasso de um só coração
 
Enquanto existir um raio de luz
E uma esperança que a todos conduz
Persiste a certeza marcada no chão
Ternura e beleza não acabarão
Pois a juventude que sabe guardar
Do amor e da vida não vai descuidar
 
O rosto de Deus é jovem também 
E o sonho mais lindo é ele quem tem
Deus não envelhece tampouco morreu
Continua vivo no povo que é seu
Se a juventude viesse a faltar
O rosto de Deus iria mudar.
 
Esta canção surgiu nos anos 90. O cantor e compositor Jorge Trevisol, amigo com quem tive a graça de, em vários encontros pessoais, ouvir suas composições antes que fossem “lançadas”, cantou esta canção expressando que ela tinha uma letra significativa, mas que estava em dúvida quanto a gravá-la ou não.  
Tive o privilégio de ser o primeiro a ouvi-la e me encantar pelo seu sentido. Então eu disse a ele: “Posso fazer um teste com a canção junto à juventude?”. Poucos dias depois em missão vocacional, cantei “O Mesmo Rosto” junto a jovens estudantes de escolas em quatro pequenas cidades, no interior do Rio Grande do Sul. No meu último trabalho, enquanto jantava em uma família que me havia convidado, a dona da casa me disse: “Tem gente lá fora querendo falar contigo”. Então levou-me até a sacada, e qual minha surpresa quando vi que os estudantes do Ensino Médio da pequena cidade de São Jorge estavam cantando “O Mesmo Rosto”, como se fosse uma serenata. Emocionei-me, e naquele instante se passaram muitas coisas pelo meu coração, em especial o carinho e a sensibilidade dos jovens em relação a quem os ama e neles acredita. 
No retorno da missão, disse ao Trevisol: “Mano, grava essa canção. Ela toca os corações pelo seu sentido”, e partilhei com ele as experiências vividas. Trevisol gravou a canção no primeiro CD que lançou, pela COMEP, que leva o nome de “Mistério, Amor e Sentido”. A partir daí a canção tornou-se um hino para as juventudes.
A letra desenvolve uma reflexão a cada estrofe. A primeira estrofe traz presente a falta de crença nas juventudes por parte da sociedade, em outras palavras, pelos descrentes nas juventudes. A segunda estrofe é questionadora, resultante de ações que identificam as juventudes: sorrisos, gritos, manifestações, passos firmes em defesa da vida. A terceira estrofe canta a esperança, afirma o credo na juventude, pela sua ternura e beleza, pelo amor e pela vida cuidados por ela. A quarta estrofe, que dá o nome á canção, é a afirmação de que o rosto dos jovens é o rosto de Deus, porque o rosto de Deus é eternamente jovem. É assim que O conhecemos, no rosto revelado e encarnado de Jesus.
A existência das juventudes é garantia de que o rosto de Deus não muda, e que ele se revela nas atitudes que nascem dos desejos ouvidos dos corações dos jovens. 

                                                                                                                                       

Texto: Gustavo Balbinot | Coordenação de Vida Consagrada e Laicato da Rede Marista