Grupos Maristas do RS

Estudo mostra perfil do estudante da PUCRS

PJM,

Fonte: PUCRS 

Os estudantes da PUCRS na faixa etária dos 16 aos 29 anos são, em sua maioria, mulheres, naturais de Porto Alegre, moram com os pais, são solteiros e não têm filhos. Esses dados integram a pesquisa Aspectos socioeconômicos, culturais e crenças dos jovens estudantes da PUCRS, realizada pelo Observatório Juventudes, coordenado pelo Centro de Pastoral e Solidariedade, numa parceria com as faculdades de Educação e Serviço Social e a Coordenação de Pastoral da Sede Marista.

O estudo buscou entender os jovens universitários, avaliando aspectos de Gênero, Idade, Naturalidade, além de crenças e valores culturais. A primeira fase terminou em 2012, com a participação de 4.998 estudantes. No final de 2013, encerrou-se a fase qualitativa da pesquisa, em que os jovens se dividiram em sete grupos focais, discutindo temas como tecnologias, violência, trabalho, religião, cultura e projetos de vida.


“Dos respondentes, 2.816 são mulheres (56,3%) e 2.175 são homens (43,5%); 44,3% têm entre 21 e 24 anos e 35%, de 18 a 24 anos; 61% dos jovens são naturais de Porto Alegre e 22,4% de outras cidades do interior; 64,1% moram com os pais ou responsáveis, 87,9% são solteiros e 81,7% nos momentos de dificuldade têm a família como principal apoio”, explica Patrícia Grossi, Professora da Faculdade de Serviço Social e integrante do Observatório Juventudes.

A internet é a principal fonte de informações/notícias para 77% dos respondentes, que também a utilizam para serviços bancários, compras online, estudo e trabalho. O pesquisador Maurício Perondi, coordenador do Observatório, explica que os resultados surpreendem ao mostrar jovens que utilizam a internet em diversos momentos da sua vida, e não só para se relacionar por meio das redes sociais. “A sociedade cria estigmas e generaliza alguns conceitos. A pesquisa apresenta uma nova configuração de ser e de estar no mundo, e que surpreende”, refere Perondi. Outra curiosidade é que 47,8% leem de um a três livros por ano, não contando as leituras obrigatórias da faculdade.

A maioria dos respondentes também é contra a sonegação de impostos (81,5% discorda totalmente) e contra a mistura de álcool e direção (79,4%). Grande parte acredita na democracia, na liberdade de expressão e na convivência entre os que pensam diferente. 66,7% afirmam ter uma religião, mas apenas 37,8% destacam que suas crenças espirituais dão significado para suas vidas. O trabalho é sinônimo de fonte de renda, independência e autorrealização. “Eles consideram como projetos prioritários arranjar um bom emprego depois da graduação, continuar os estudos e ter um negócio próprio. Mas a percepção sobre o trabalho mudou. É preciso fazer o que se gosta, ter qualidade de vida, e estar atento a mudanças, se necessário. Eles dizem: “Eu vou trabalhar nisso enquanto me der prazer. Se for necessário eu mudo”, explica Perondi.

A formação da família também está nos projetos, mas somente a partir dos 25 anos. “É uma configuração diferente de outros momentos históricos. Hoje a proposta do jovem é sair de casa mais tarde, casar mais tarde, pois a prioridade é a formação profissional mais qualificada”. O material completo da Pesquisa será lançado em outubro, durante a 60ª edição da Feira do Livro de Porto Alegre.

Site do Observatório reunirá dados sobre a juventude brasileira

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010, são aproximadamente 51,3 milhões de sujeitos jovens, na faixa de 15 a 29 anos, no Brasil, correspondendo a 25% da população. Com a proposta de estudar características dessa população, a PUCRS criou, em 2011, o Observatório Juventudes, ligado ao Centro de Pastoral e Solidariedade. Segundo Perondi, o Observatório propõe-se a ser um espaço destinado ao estudo e à pesquisa da condição juvenil, da construção de metodologias de trabalho com jovens, das políticas públicas e das ações sociais voltadas a esse público. Também pesquisa temáticas relacionadas às juventudes, oferecendo subsídios e materiais de estudos para educadores e gestores de políticas públicas. “Há muita gente pesquisando sobre as juventudes hoje, mas é difícil encontrarmos todo esse material reunido em um só local. Nossa proposta é criar um site que possa acolher todos esses dados”.

O Observatório também presta assessoria para entidades interessadas em conhecer o público jovem. Em 2013, esse trabalho foi realizado em 18 assessorias, com grupos variados, incluindo as escolas, as unidades sociais e os gestores maristas. Integrantes do Observatório também participam de entidades governamentais ligadas à juventude, como o Conselho Estadual de Juventude do RS, criado pelo governo estadual no segundo semestre de 2013. O Conselho é composto por 30 membros de entidades de juventudes da sociedade civil e por 15 membros do Poder Público. “Esta participação está em consonância com a missão da Rede Marista, da qual a PUCRS faz parte, na defesa dos direitos dos adolescentes e jovens. Queremos contribuir para que os jovens tenham mais oportunidades e possam viver dignamente”, conclui Perondi.