Grupos Maristas do RS

Acolhida | A forma conta, mas não é tudo

Mística da PJM,

Acolhida é mais que “formas” ou “maneiras” de tratamento entre as pessoas. A forma conta, mas não é tudo. Há tratamento muito cortês, mas pouco acolhedor. Em tempos de diversidade, acolher é muito necessário. É próprio da acolhida, acolher e não escolher.

Acolhida não é a pura utilização de cortesia. A pessoa acolhida só com cortesia sai dizendo: “Muitas reverências, muitas palavras bonitas, mas não me deu bola, não me escutou”. Segue-se a isso a acolhida que se pensa estar fazendo com uma chuva de perguntas bisbilhoteiras e afobadas. É falta da virtude da paciência querer abranger em um só momento a vida inteira da pessoa. Em um primeiro encontro, aprendemos de Jesus, a Ver com olhos de solidariedade, de afeto e carinho. É da observação crítica que nasce atitude solidária capaz de ir ao “x” da questão e libertar a pessoa.

Acolher implica não fundir-se, confundir-se ou perder-se diante do diferente. A acolhida potencializa a originalidade de cada sujeito. Se não fizer isso, não é acolhida, e sim cooptação. Não é uma boa prática de acolhida emitir imediatamente juízos de valor sobre o que se escuta. Dar, desde fora, os porquês das coisas que nos chegam não soluciona nada. Isso é ser pedagogo apressado.

Acolher bem não é aconselhar sobre o que se deveria fazer. “Eu, no teu lugar...”, “O que tens que fazer...”, quase sem conhecer o outro, já marcamos os caminhos que ele tem que percorrer. Jesus, usou palavras diretas, mas carregadas de força e ternura:“Tua fé te salvou”, igual a dizer: Deus colocou em teu interior uma força capaz de te ajudar a viver a existência com uma nova dignidade. Será que as palavras que pronunciamos levam á redescoberta do protagonismo ou criam dependência psicológica?

Acolhida, portanto, é uma maneira de ser, uma atitude interior que a pessoa constrói pouco a pouco. Acolhida vai muito além da boa educação ao recepcionar uma pessoa saudando-a. Recepção é um dos elementos da acolhida. Acolhida é mais que um abraço ocasional ou um instante fragmentado de uma dinâmica ou técnica de integração num encontro. A pessoa acolhedora é aquela que tem no seu coração um lugar para o outro ininterruptamente. Quando isso acontece, experimenta-se libertação, reencontro com uma possível dignidade perdida e a integração à comunidade da vida.

Sugestão de texto bíblico: Mc 10, 46-52


                  Papa Francisco, na Jornada da família em 2013

Texto: Marcos José Broc | Assessor da Coordenação de Pastoral