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Espiritualidade, todos possuem!

Sobre Juventudes,

Eu tenho espiritualidade?

Sim, todos temos espiritualidade. Pesquisas recentes mostram que as gerações Y e Z (que estão na faixa dos chamados jovens dos 14 aos 29 anos) possuem grande necessidade de falar deste tema, ou consideram o tema relevante para sua vida. Porém, cada vez menos alimentam sua espiritualidade estando ligados a uma determinada religião.
Por isso, é sempre importante diferenciar os termos espiritualidade e religião. A espiritualidade é quando tentamos nos comunicar com nossa essência humana. É uma busca pessoal, essencial e íntima. “Eu” com “eu mesmo”. Já a religião exige uma comunidade de pessoas que acreditam na mesma crença e se reúnem sistematicamente para celebrar e aprofundar sua fé comum. Exige várias pessoas que acreditam em um mesmo Ser Superior.
Quem tem espiritualidade não precisa, necessariamente, ter uma religião. E é isto inclusive que as pesquisas mostram sobre a realidade dos jovens brasileiros: possuem espiritualidade e até mesmo acreditam em Deus, mas não querem se vincular a tradições religiosas.
Esta busca pessoal da espiritualidade é desafiadora, pois não é simples descobrirmos o que é essencial para nós. Perguntas como “Quem sou?” “O que me faz feliz?” “Em que mundo acredito?” “Que quero para meu presente e meu futuro?” são fundamentais e só podem ser respondidas por você. Por isso é tão difícil, porque mesmo podendo contar com a ajuda de outras pessoas, a responsabilidade desta tarefa é só nossa. Os lugares que fazem parte de nossa história, fotos, poesias, textos, músicas, lembranças de pessoas, gestos, alimentam nossa espiritualidade e nos comunicam com nossa essência.

Enfoques da espiritualidade:

Não conseguimos explicar ou criar “um caminho” de fácil acesso a esta dimensão de nossa vida. Provavelmente porque cada pessoa precisa descobrir o caminho. Ou, talvez, a grande descoberta seja justamente passar a vida em busca desta espiritualidade, fazendo “pequenos-grandes” achados a cada instante, alimentando-se cotidianamente.
A necessidade de ter o contato – ou buscar a espiritualidade é humana, como já dissemos. Porém, o jovem participante de um grupo de jovens se depara com três enfoques desta espiritualidade:
- O primeiro é o de ordem pessoal. Assim como as demais pessoas, o jovem participante possui a dimensão da espiritualidade e precisa encontrar seu jeito próprio de alimentá-la;
- O segundo é a dimensão grupal. Este/a jovem se liga diretamente com outros jovens que estão nesta busca e que comungam de uma realidade muito próxima. Chamamos isso de comunidade de interesse: quando pessoas se encontram sistematicamente motivados por um tema em comum. Neste grupo também se desenvolve uma forma específica de rezar e de alimentar a mística, inclusive para além dos momentos de oração: a forma como se acolhem, como estudam, como propõem ações...
- O terceiro enfoque é mais amplo, poderíamos chamá-lo de social. Quando me sinto ligado com pessoas para além do meu grupo: quando descubro a existência de outros grupos e outras pessoas que acreditam na proposta da Civilização do Amor. A forma de alimentar esta espiritualidade está muito mais ligada a grandes causas, como educação de qualidade para todos, respeito à dignidade humana, relações justas e fraternas entre os povos...

 

Texto: Fernando Degrandis | Educador, graduado em Filosofia, Mestre em Teologia. Autor de Experiências de fé: Conversas sobre juventude e espiritualidade.