Grupos Maristas do RS

Observatório da Juventude na Contemporaneidade | Novo espaço de promoção das juventudes

Sobre Juventudes,

Fonte: Cajueiro 

Para a promoção de políticas públicas, inclusão, entendimentos, olhares diferenciados para as juventudes é necessário além de pessoas apaixonadas pela causa, espaços de estudo e aprofundamento.
Assim como na Rede Marista, foi constituído o Observatório Juventudes, uma parceria entre Centro de Pastoral e Solidariedade, faculdades de Educação e Serviço Social da PUCRS e a Coordenação de Pastoral da Rede Marista, existem outras parcerias e instituições que estão nessa missão.
Caso este é o Observatório da Juventude na Contemporaneidade, que ficará sediado na Universidade Federal de Goiás (UFG).
Veja como foi constituída essa iniciativa.


                             Instalação do Observatório 
 

Os desafios de compreensão da realidade social dos jovens se expressam nos preconceitos presentes no cotidiano do brasileiro. Soluções fáceis e violentas são constantemente defendidas por auto-proclamados sabidos do assunto. Entretanto, entender a situação da juventude é um processo complexo e peça chave de análise do mundo contemporâneo. Isso porque esse segmento social é quase sempre o primeiro a sentir os efeitos das crises acompanhadas da ineficiência de ação do Estado.
Nestas eleições de 2014, por exemplo, há diversos candidatos, principalmente a deputado Estadual e Federal, que defendem a redução da maioridade penal com mecanismo de diminuição da violência e criminalidade. Muitos destes candidatos sabem que tal medida não resolve este grave problema social, mas defendem a redução por objetivos eleitoreiros, considerando que parte da população apóia estas iniciativas. Entretanto, se prender e matar resolvesse algo, já se teria resolvido, visto que a principal política pública de juventude dos Governos é o próprio sistema prisional.

As estatísticas oficiais indicam que a população majoritária dos presídios brasileiros é composta por jovens do sexo masculino, de pele negra e classe social desfavorecida. Este mesmo público é a principal vítima de mortes violentes no país. Luiz Eduardo Soares, especialista no tema da violência, chega a afirmar que essa população no país morre em quantidades maiores do que sociedades em guerra.

Há, portanto, um processo de extermínio de jovens no Brasil. Os que não morrem são encarcerados. Isso ocorre há décadas, mas a situação não melhorou. E os jovens continuam sendo abordados pelas grandes redes de comunicação, que influenciam a opinião pública, como protagonistas de violência e criminalidade. Porém, as pesquisas também mostram que eles são as principais vítimas dessa situação.

Tudo isso indica que é preciso fortalecer os estudos sobre a condição atual da juventude brasileira para que, entre as diversas necessidades, as políticas públicas do setor sejam adequadas e visem resolver de fato o problema. Diante deste desafio, um grupo significativo de pesquisadores em Goiás, participantes de diversas instituições de ensino e pesquisa, ativistas sociais e interessados no assunto, deu início ao processo de instalação do Observatório da Juventude na Contemporaneidade.
Gestado há mais de dois anos, o Observatório tem com objetivo articular, estimular e viabilizar estudos acerca da realidade do jovem brasileiro e principalmente goiano. Esta iniciativa se inspira nas experiências de Minas Gerais e Rio de Janeiro que possuem Observatórios ativos e com papel importante nas pesquisas sobre as juventudes.

A instalação será feita nesta quinta-feira, 11 de setembro, na UFG (Faculdade de Ciências Sociais – CAMPUS II – Auditório Lauro Vasconcelos), em seminário que contará com a participação dos pesquisados envolvidos no Observatório e interessados no assunto. Além disso, haverá a conferência com o Prof. Luis Groppo, citado entre os principais pesquisadores de juventude no Brasil. Contaremos também com a presença de Hilário Dick, padre jesuíta e um dos primeiros estudiosos do tema no país.

Com o funcionamento do Observatório, além de pesquisas, pretende-se colaborar com as políticas e programas voltados para o público juvenil no Estado. Espera-se que esta iniciativa diminua o preconceito e a desinformação acerca da realidade do jovem. Pois o mais importante é compreender que lugar de jovem é na escola e não na cadeia.