Grupos Maristas do RS

Assembleia Horizontal: Uma àgora moderna?

Sobre Juventudes,

Fonte: Sonho Brasileiro da política 

“A nossa juventude se propôs a fazer política de outra maneira, a partir de movimentos horizontais”, a frase de Juliana Afonso fala bastante sobre espírito que move encontros mensais embaixo do viaduto Santa Teresa, em Belo Horizonte, desde junho do ano passado. Ela é uma das participantes da Assembleia Popular Horizontal, um movimento sem lideranças, realizado pela sociedade civil, que foi criado para a discussão de questões da cidade e construir alternativas para a política.


                             Imagem de um dos encontros mensais 

Foi no calor dos protestos que surgiu a Assembleia Popular Horizontal, e é por conta da vontade de fazer política de um jeito diferente que ela continua existindo. A primeira reunião aconteceu em 18 de junho, num esforço de organizar as pautas que foram para as ruas e abrir um espaço de diálogo entre movimentos sociais para fazer com que suas demandas chegassem ao poder público, além de propor atos organizados pela cidade. O formato de assembleia no qual as pessoas encontram-se no espaço público e debatendo de maneira não-hierárquica está em sintonia com experiências internacionais como Occupy Wall Street nos Estados Unidos e Indignados na Espanha.

Para organizar o trabalho e encaminhar as soluções, o grupo divide-se em eixos temáticos (Mobilidade Urbana, Reforma Urbana, Meio Ambiente, FIFA e Megaeventos, Desmilitarização e Anti-Repressão Policial, Saúde, Educação, Reforma Política, Direitos Humanos e Luta Contra as Opressões, Democratização da Mídia, Cultura, Disseminação das Assembleias, Permacultura). Cada grupo organiza suas demandas e propõe ações a serem deliberadas em assembleia. Qualquer pessoa pode participar e tem igual peso nas decisões de assembleia. “É um desafio cugar ao consensos, não encabeçar as falas”, conta Nath Orleans, que já fez parte do GT de Saúde.

Nesse processo Leo Lucas, integrante da Família de Rua que também participa da APH, destaca a importância de se abrir para que suas próprias ideias se transformem: “você propõe uma pauta para ser discutida ali, entre todos. Às vezes, ela muda até o resultado final, não vai ser muito bem o que você propôs. Mas essa construção horizontal é incrível”. O desafio da coletividade também motiva Juliana O que me leva a APH é o desejo de dialogar com essa juventude política da cidade, e o desejo de construir novos movimentos e entendimentos sobre o contexto local.” Desde a wiki sobre a APH até a metodologia a ser usada em cada Assembleia, tudo é colaborativo e acordado.

As assembleias são realizadas mensalmente, e além delas os grupos de trabalho marcam encontros menores e também existem reuniões extraordinárias. Atualmente, o grupo tem priorizado questões relacionadas à Copa, repressão policial e ocupação do espaço público. Para saber mais sobre os próximos encontros da Assembleia Popular Horizontal, acompanhe a página no facebook.

As experiências de assembléias horizontais que estão acontecendo no mundo podem ser uma uma resposta a crise de representatividade que vivemos hoje. Mesmo que tenham outros formatos, é interessante perceber que essas iniciativas remeterem a Àgora da Grécia antiga onde era considerada espaço de exercício da cidadania e um símbolo da democracia direta, na qual todos os cidadãos tinham igual voz e direito a voto.

Será que é possível adaptar antigas formas políticas para nossa realidade moderna?