Grupos Maristas do RS

Ele sonhou, acreditou, realizou!

Mística da PJM,

Pouco depois de ordenado padre, Champagnat foi nomeado coadjutor na paróquia de La Valla1, vilarejo com cerca de dois mil habitantes, pessoas boas, simples, sem instrução e com muita fé. Entre as suas atividades habituais, costumava visitar os doentes.

O encontro de jovens moribundos com o padre era coisa relativamente comum e poderia produzir, na maior parte dos sacerdotes, não mais que a satisfação do dever cumprido. Em 28 de outubro de 1816, Marcelino Champagnat é chamado para atender um desses jovens: João Batista Montagne, em seu leito de morte. Surpreendeu-se ao ver que o rapaz de 16 anos ignorava a existência de Deus. Pacientemente, expressou-lhe toda a solidariedade e preparou-o para morrer. Esse encontro, no entanto, gerou algo maior em Marcelino – ele percebera que não havia mais tempo a esperar, era preciso agir.
Champagnat globalizou esse encontro, pois representava o mundo das crianças e jovens ameaçados de morte em plena juventude. Ele se reencontrou nesse jovem.

Assim como o jovem Montagne, Marcelino também foi habitante de um povoado. Quando tinha a mesma idade do rapaz, um padre se apresentou para convidá-lo a ir ao seminário. Sofreu como esse jovem, pela ignorância, mas dela pôde escapar. Já o jovem não teve a mesma sorte.

Habitante das montanhas afastadas, ele foi abandonado à “própria sorte”, o que para o padre Champagnat é a origem de morte simbólica, pela ignorância; de morte física, por falta de cuidados, e de morte espiritual, pelo desconhecimento das verdades necessárias à salvação.
No semblante desse jovem doente, Champagnat conseguiu enfim unificar em si mesmo dois sentimentos profundos: o de criança mal instruída (fracasso escolar) e o velho desejo de fazer algo em benefício das crianças e jovens.

O jovem Montagne2   fez o seu projeto tornar-se concreto. É seu irmão. Ambos têm histórias semelhantes3  . E é também a mesma história de crianças, jovens e adultos abandonados à sua rudeza e à sua ignorância nas vilas, nos municípios, estados, países, no mundo. Lá onde muitos teriam visto um fato banal ou um problema concreto e urgente, Champagnat toma consciência de que não deve se ocupar, nesse momento, com aqueles que estão distante, em outro lugar, mas com a paróquia onde se encontra (CF Lanfrey, 2012, p.66-67). Por ser responsável por esse povo, que tem de agora em diante um rosto/semblante, ele se julga no dever de agir imediatamente ali onde está, na paróquia de La Valla.

Assim se estabelece em Champagnat um dos traços de seu projeto e de sua espiritualidade: ocupar-se dos mais pobres, dos mais rudes, de todos os que estão à margem, órfãos, mendigos, miseráveis..., pelos quais, mais tarde, fundaria um Instituto capaz de contribuir para dignificar suas vidas.

1 Cf. Lanfrey, André. Marcelino Champagnat e os Irmãos Maristas: professores, congreganistas no século XIX, p. 64.
2 Ibidem, p. 65.
3 Ibidem, p. 66-67
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Para fazer conexão com o texto, pode ouvir a música Esquadros e meditar sua letra.

 Para conversar:

    

  1. O que conheces sobre a história de Champagnat?
  2. Há semelhanças entre a história de Champagant e a tua história?
  3. Champagnat sonhou, acreditou e realizou seu sonho. Que sonhos eu tenho? Que sonhos tem o grupo? 

 Texto: José Jair Ribeiro (Zeca) | Coordenador da PJM da Rede Marista.