Grupos Maristas do RS

A importância do acompanhamento ao Participante e ao grupo na PJM

Mística da PJM,

Para olhar

“Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar. Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando. Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu: ‘Pai, me ajuda a olhar’”. Eduardo Galeano

A partir deste texto, podemos perceber a importância do acompanhamento aos adolescentes e jovens, na vivência grupal e na vida como um todo. Crianças, adolescentes e jovens precisam ser acompanhadas pelo pai, mãe ou responsável, pelo/a educador/a, pelo/a Assessor/a. Percebemos como um grito presente na atualidade e nos contextos educativos, familiares, religiosos, sociais a importância do acompanhamento ou a sua ausência.

Acompanhamento é “comer o mesmo pão”, individual e coletivamente1  e é nesse sentido que o “junto com” faz toda a diferença. Não é fazendo pelo/a outro/a, mas contribuindo com ele/a. É dar as ferramentas necessárias para que possa fazer seu caminho junto, sendo presença, partilhando vida, estando na perspectiva horizontal das relações.
Como herdeiros do sonho de Champagnat, acreditamos que a educação evangelizadora é dom e desafio para todos nós. É essencial que aqueles/as que desejam exercer o acompanhamento leiam e estudem sobre adolescências e juventudes, estejam entre eles/as percebendo seus sonhos e desafios, suas esperanças e dificuldades, este é o papel que devemos perceber nos acompanhantes.

Na PJM o acompanhamento se dará de duas formas: individual e grupal.

Individual, pois é necessário reconhecer o potencial juvenil, partir do sujeito, de sua realidade e de seu contexto; incentivando-os a uma ação concreta de mudança pessoal e promoção de mudança coletiva. A sensibilidade especial dos adolescentes e jovens para situações de incoerência nos abre um caminho espiritual de formação de consciência social e crítica. Mas na PJM, o acompanhamento individual só acontece porque adolescentes e jovens estão envolvidos na vivência grupal.

Grupal, pois o acompanhamento grupal é uma tarefa que tem como foco o processo grupal e como objetivo a construção coletiva da Civilização do Amor. No coletivo construímos identidade, caminhos e jeitos próprios de caminhar. A partir da identidade coletiva acontecem mudanças individuais e também coletivas, enriquecendo as relações pessoais e grupais com solidariedade e comunhão consigo, com o grupo, a comunidade, a sociedade.
Na PJM, através do serviço de Animação e de Assessoria, acompanha-se o dia a dia da vivência grupal. Acreditamos que o ambiente grupal é formativo e educativo, ajuda a ampliar os horizontes de visão, ajuda a ter posturas mais claras em relação a sua vida pessoal e também em relação à vida dos outros. Acreditamos que para um grupo caminhar, ele precisa de acompanhantes que o ajudem a fazer a sua caminhada, a vivenciar as suas etapas, a ler o que está acontecendo no seu interior e ao seu redor, enfim, ajudar para que possam escrever a sua história.

Para discernir
Cuidadores de vida, semeadores de esperança são expressões que nos dizem acerca do acompanhamento. A parábola do semeador (Mt 13, 3-23) contribui para que tenhamos a dimensão do cuidado presente naquele que cuida, que semeia. Cuidar da semente para que ela seja plantada e cultivada em terra boa, eis a missão do acompanhante.

Para refletir
Para ajudar a refletir sobre este tema e assumi-lo no dia a dia da vivência grupal trazemos um filme que retrata a importância de se ter clareza de um olhar mais amplo do acompanhamento.

Vídeo: Como estrelas na terra, Índia, 2007.

   

Texto: Karen Theline Cardoso dos Santos da Silva | Assessora da Coordenação de Pastoral

Texto construído a partir das opções pedagógico-pastorais (p. 40-43) do Documento Vivência Grupal da PJM -  Marco Operativo.

1Rede Marista (2015). Vivência Grupal da PJM: Marco Operativo: 2015-2017/ Org. Ribeiro, José Jair. Porto Alegre, CMC. p. 40-43.