Grupos Maristas do RS

Maria, mulher que escolhe e acolhe

Mística da PJM,

Nossa vida é permeada de relações interpessoais, sociais, com a natureza, com o Sagrado e consigo mesmo. Ao mesmo tempo, essas relações estão interligadas com as nossas escolhas, pois nos relacionamos e escolhemos a partir daquilo que nos faz sentido. Por isso, podemos nos perguntar sobre o que Maria tem a ver com as escolhas/projeto de vida. Eis o objetivo deste breve texto: refletir sobre as escolhas e acolhida que Maria fez.

As escolhas diárias em nossas vidas, como também em Maria, carregaram consigo uma dimensão de projeto de vida, ou seja, opções, escolhas e acolhidas das nossas escolhas como um projeto. Percebe-se, na vida de Maria, que as suas escolhas foram uma porta para a mudança e acolhida à novidade, como por exemplo: o fato da anunciação do Anjo Gabriel ( Lc 1, 26-38), o seu próprio seguimento a Jesus Cristo, e nas bodas de Caná, não deixar acabar a festa .

Maria foi escolhida por Deus para ser a Mãe de Jesus, e ela reciprocamente acolhe novidade como o seu projeto de vida, ser a Mãe do Filho de Deus. Esse fato, para nós, jovens, carrega um profundo sentido: a dimensão do “chamado”. Deus que nos escolhe e a dimensão da acolhida e aceitação do seu chamado é uma graça da escolha. Maria ouviu o chamado, acolheu, aceitou-o, e teve confiança no Senhor Deus, que prometeu estar com Ela. Esse é um aspecto do chamado de Deus: Ele está com quem escolheu e chamou. Nunca abandona: “O Senhor está contigo” (Lc 1, ...).

Mas, qual será a relação de Maria com a Juventude? Qual é o chamado que Deus, faz a juventude? A Pastoral Juvenil Marista? Qual é o nosso projeto? Existe um projeto? Eu cultivo um projeto de vida? Muitas perguntas podem ser citadas, para nos ajudar a refletir e rezar a dimensão do projeto de vida. Somos convidados a rezar a partir dessas perguntas. Rezar com a confiança em Deus.

Acredita-se que as opções que vamos fazendo na vida nos ajudam a formar a nossa personalidade, o nosso jeito de ser. A formação da nossa personalidade é bem dinâmica, pressupõe sempre movimento. Somos seres que escolhemos e acolhemos as nossas escolhas a todo o momento. No instante que escolhemos, acolhemos a novidade. Eis o mistério!
Maria, Mãe de Deus acolheu em si uma novidade muito bela e ao mesmo tempo desafiadora: ser a Mãe de Deus.

Nesse sentido, nós jovens, somos chamados a cultivar estas características marianas: da coragem, consciência crítica, e fé em Deus, para termos a consciência das nossas escolhas na construção do nosso projeto de vida e que estejam alicerçadas no projeto de Deus, que é o seu Reino, onde reina a paz e a justiça.

Segundo o Ir. Afonso Murad, no seu livro, Maria e os jovens, “Maria compreendeu naquele momento, que a vida é feita de opções. Impossível ficar com tudo, Quando a gente escolhe, renuncia algo (...)”.( idem)
Champagnat é um desses exemplos de pessoa, que confiou a Maria a criação do Instituto dos Irmãos Maristas. Muitas de suas cartas e a sua biografia demonstram essa confiança em Maria. “Sem Maria não somos nada e com Maria temos tudo, porque Maria está sempre com seu adorável Filho, ou no colo ou no coração”. Província Marista do Rio Grande do Sul, p.124, Cartas de Champagnat (n. 194), ao Bispo Pompallier, 27 de maio de 1838). Nesta confiança ele chega a considerá-la Recurso Habitual, na qual coloca toda a sua confiança.
Gosto muito do trecho de uma das nossas orações, que rezamos pela manhã nas nossas comunidades maristas. É a oração de Champagnat, em um momento de profunda crise de vocações para o Instituto Marista. Assim diz:
“Ó Maria, nossa Boa Mãe, esta obra é vossa. Vós nos reunistes, apesar das contradições do mundo, para trabalharmos pela glória de vosso divino Filho. Se não vierdes em nosso auxilio, pereceremos, apagar-nos-emos como lamparina chegada à última gota de azeite; mas se este instituto desaparecer, não será a nossa obra que perecerá, porém a vossa, pois fostes vós que tudo fizestes entre nós. Contamos pois, com o vosso poderoso auxilio, em que sempre confiamos. Amém” (Calendário Religioso Marista, Oração de Champagnat pelas vocações, p.24)

Sugestões de atividades em Comunidades:
As atividades a seguir são propostas como um vivência grupal, com um suporte no texto, explanado anteriormente.

- Leitura individual e, em seguida coletiva do texto. Após, pode-se estabelecer um momento de conversa e partilha.
Se o grupo for grande, pode-se dinamizar o encontro na dinâmica das pequenas comunidades.

- Algumas músicas, podem auxiliar: Alceu Valença, Anunciação, Romaria.

- O dinamizador do encontro propõe um momento de partilha de vida, no qual os jovens podem ter um espaço para partilhar as alegrias e inquietações por que estão passando na vida.

Ação concreta:
Elaboração de:
O que escolhemos para o grupo?
Qual o projeto que almejamos para o nosso grupo?
Estabelecer metas.

Referências:
REDE MARISTA DO RIO GRANDE DO SUL, p. 124, Cartas de Champagnat (n. 194), ao Bispo Pompallier, 27 de maio de 1838.
Afonso Murad, Coleção Cadernos da PJM: Maria e os jovens, FTD, 2011.

Texto: Ir. Matheus da Silva Martins. Equipe Provincial da PJM e Agente de Pastoral no Colégio Marista PIO XII