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Jovens querem lugar que não seja apenas simbólico

Sobre Juventudes,

Fonte: IHU 

Jovens da América Latina têm três representantes na Conferência de Edimburgo. Um deles é o uruguaio Nicolas Iglesias Schneider, que atua como coordenador continental da Pastoral da Juventude do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI). O principal avanço do encontro é que na anterior não havia latino-americanos e, nesta, o número chegou a 17 pessoas.

Embora perceptível o avanço, “isso significa, possivelmente, uma mudança pequena em relação à porcentagem que o cristianismo latino-americano representa”. A representação, entende, poderia ser mais expressiva, por causa da presença e do contínuo crescimento do cristianismo. “Somos algo em torno de 24% dos cristãos, mas essa não é a representação que espera este continente onde o cristianismo cresce”, observou.

Os jovens, defendeu, podem reivindicar maior presença. Para a “perspectiva dos jovens, o tema da juventude fica quase ausente, como alguns dos que apareceram na categoria ‘transversal’, que significa o risco de perder parte de sua visibilidade por causa da transversalidade”.

Schneider reivindica um espaço mais generoso para os jovens. “Nós precisamos ocupar um lugar, que não seja apenas simbólico”, insistiu. “Queremos que as vozes dos jovens cheguem no mesmo nível das dos adultos. Muitas vezes vemos a igreja reproduzindo um modelo muito centralizado, que tem na sociedade dos adultos o elemento passador de conhecimentos, de saber, do legado. E nas igrejas, essa visão centralizada da sociedade é mais reforçada, por ser uma instituição tradicional!”, definiu.

Sua perspectiva, ao representar os jovens latino-americanos é “buscar um maior empoderamento neste tipo de conferência, que transcenda a participação simbólica”. Ao voltar ao trabalho de coordenação continental dos jovens, assumirá desafios, como a partilha dessas informações e a difusão dos temas que foram debatidos aqui com a juventude em todos os níveis.

Sobre o trabalho com a juventude, ele assinalou que têm “uma estrutura de comunicação no CLAI, razoavelmente desenvolvida, alcançando 20 países a partir da vinculação com as igrejas nacionais”. Apesar dos canais para enviar informação e sensibilizar, isso muitas vezes não funciona.

Schneider explicou que o objetivo do trabalho com a juventude é o de “informar para empoderar os jovens diante de suas igrejas”. Para tanto, “queremos achar jovens que aceitem a tarefa de representar suas igrejas”. Observou que “os Estados, as Nações Unidas e as instituições internacionais se dão conta de que os jovens são a chave hoje em dia para o desenvolvimento, para a mudança de pautas e de valores”.

“Demograficamente, a juventude é um setor muito importante na América Latina e no Caribe”, no entanto “as igrejas parece que não se deram conta. Estamos tomando a relevância real e até quantitativa que tem esta parcela da população na América Latina”, concluiu.