Grupos Maristas do RS

As conferências de dentro para fora

Mística da PJM,

No ano de 2015, aconteceram em território nacional as etapas das Conferências de Juventude: territoriais, municipais, estaduais e a etapa final em âmbito nacional; no mês de dezembro, em Brasília, Distrito Federal. Nas reuniões de grupo da PJM da PUCRS, conforme subsídio do EJM (Encontro de Jovens Maristas), foi abordado o tema central da Conferência, “As várias formas de mudar o Brasil”. A partir de uma proposta elaborada no grupo, inscrevi-me para a etapa nacional pela plataforma digital, sendo eleita por cota de gênero, pois o primeiro critério era paridade de gênero.

Tive a oportunidade de participar da etapa municipal de Porto Alegre, onde tive minha primeira decepção, uma vez que a Conferência de um dia aconteceu em dia útil, como se os/as jovens não trabalhassem. Não tinha um público jovem diversificado, em sua maioria eram adolescentes, fator que, penso eu, resultou no término precipitado da conferência, pois, além da desorganização do evento, esse público tinha horário para retornar às suas escolas, o que não possibilitou o debate das propostas, que acabaram não sendo enviadas para a etapa estadual. Já a etapa estadual, apesar da pouca estrutura, dialogava mais com a proposta de uma Conferência de Juventude, esta aconteceu em fim de semana, fator relevante, tendo em vista as juventudes que se deslocaram do interior do estado, bem como jovens trabalhadores/as que não poderiam se ausentar de seus empregos.

A etapa nacional começou, ocorreu e resultou numa tragédia organizativa. Parece pessimista falar isso, mas é o que tende a acontecer em eventos governamentais que têm por intuito central apaziguar as massas, principalmente jovens, que estão sedentos na luta por direitos, e essa sede é o resultado positivo da Conferência Nacional.

Começa pelo fato da descaracterização das propostas enviadas por estado e das propostas da etapa digital. No que se refere às “trapalhadas” organizativas: as passagens foram liberadas poucos dias antes, com critérios segregatícios, além de muitas que nem foram liberadas ou liberadas com erros; falta de organização para a chegada dos delegados, delegadas e artistas , bem como no que se refere à alimentação dessas pessoas; durante o show do Emicida foi interrompido e o da Karol Conka nem aconteceu, pois a polícia cercava o estádio em que acontecia a Conferência “convidando” para que as juventudes que ali estavam se retirassem, muitas nem puderam entrar; todos os materiais da Conferência foram entregues com atraso, mais prejudicial no que se refere aos materiais de votação das propostas; dentre diversos outros fatores que, se pesquisados nas redes sociais, podem ser facilmente verificados.

Todavia, os diversos rostos das juventudes brasileiras não se deixaram abater e mostraram porque viajaram até cinco dias para estar naquele espaço. Ser eleita por cota de gênero, estando numa condição de mulher branca foi no mínimo impactante, mas me alegrou muito saber que mais de 60% do público presente na Conferência era de mulheres e que cerca de 70% NÃO eram brancas. Isso é, sem dúvida, uma vitória.

A população brasileira não é majoritariamente branca e precisamos questionar isso nos espaços que frequentamos: na escola, na universidade, na balada, no parque e onde mais for necessário.

Qual foi a resposta das juventudes? Não à redução da maioridade penal (a Rede Marista tem um posicionamento muito convicto a respeito dessa temática). Reforma agrária já, e aqui vem um apelo, precisamos nos reformar enquanto sociedade, dar visibilidade à juventude negra que é assassinada indiscriminadamente TODOS os dias (cerca de 80 jovens são assassinados por dia no Brasil, mais de 70% são negros e das periferias); precisamos dar visibilidade às mulheres que lutam por igualdade, que querem andar de shortinho, que querem voltar em segurança da balada, que querem receber os mesmos salários, que querem ser respeitadas por serem mulheres e não o contrário; precisamos dar visibilidade às juventudes do campo que querem ter o direito de ter a sua própria terra e não lhes foi dado esse direito, pois quem chegou primeiro levou tudo.

Por fim, precisamos de um Fundo Nacional que não permita que se repita todo o desrespeito que ocorreu na última Conferência e que permita às juventudes desse imenso Brasil que tenham espaços de formação, de convivência e que possibilite que essas juventudes mostrem as suas expressões, que não são o que vende a mídia tradicional e preconceituosa, expressões que não são de baderna, de violência, de desrespeito, de preguiçoso/as. As expressões das juventudes brasileiras são de sede de viver, viver num país “onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres”, parafraseando Rosa Luxemburgo.

A intensão central deste texto é, sem dúvida, denunciar as práticas adotadas durante a Conferência Nacional e também os seus processos de resistência, pois o evento atingiu seus objetivos e lançou inúmeros desafios para os tempos que estão por vir, mas, acima de tudo, denunciar que nós, jovens brasileiros/as, somos sujeitos de direitos que temos voz própria e que queremos ser ouvidas/os. O nosso recado é que queremos ser ouvidas/os de fato, colocar no papel, ao final da Conferência, o que falamos, mas não tirar do papel não é escuta de fato, é “matação” de tempo e isso não nos representa.

         Texto: Gisele Ribeiro Seimetz | Participante do Grupo Universitário Marista (PJM) na PUCRS.

+ Informações

Web - Doc|As várias formas de mudar o Brasil
Confira também as primeiras partes do documentário “As várias formas de mudar o Brasil”, lançado pela
Secretaria Nacional de Juventude.

Um olhar para o mosaico de saberes e lutas construído durante a Conferência Nacional de Juventude, que aconteceu em Brasília (DF), dos dias 16 a 19 de dezembro.

 
WEB-DOC | As várias formas de mudar o Brasil

TÁ NO AR <3! Assista e compartilhe! No dia em que se completa um mês do fim da #3ConfJuv, a Secretaria Nacional de Juventude - SNJ lança o documentário “As várias formas de mudar o Brasil”.Um olhar para o mosaico de saberes e lutas construído durante a Conferência Nacional de Juventude, que aconteceu em Brasília (DF), dos dias 16 a 19 de dezembro =D. E tem mais material da Conferência vindo por aí!#AsVáriasFormasDeMudarOBrasil @Emicida #Ubuntu #scqplc

Publicado por Secretaria Nacional de Juventude - SNJ em Terça, 19 de janeiro de 2016
 

Tá no ar!!! As Várias Formas de Mudar o Brasil - Parte 2!!! 󾔗󾔗󾔗Nosso país é vasto e diverso e essa pluralidade foi refletida na #3ConfJuv em dezembro/2015. Um WebDoc só não seria suficiente pra mostrar o mosaico de saberes e lutas que foi construído durante a Conferência! 󾬘✌Por isso a SNJ preparou esse novo Doc pra vocês!!! Deem o play e confiram!!! 󾌬

Publicado por Secretaria Nacional de Juventude - SNJ em Quarta, 2 de março de 2016